Serendipidade no Ibiti: quando o acaso transforma a experiência

15 de janeiro de 2026

Serendipidade: “Permita-se que a sorte se manifeste”

Por Joaquim Monteiro*

Numa vida cada vez mais previsível, em que aplicativos nos antecipam o trânsito, o tempo, o amor, a moda… O Ibiti Projeto nos ensina que a vida analógica é mais fascinante que a vida digital. Aqui aprendi que ”o acaso” pulsa forte e como é importante é deixar tempo livre na programação para simplesmente permitir que a sorte se manifeste. 

Existe uma palavra em inglês que resume bem a ”capacidade de achar prazeres por acaso“: Serendipity. É, por exemplo, se permitir andar por uma trilha e se deparar com uma cachoeira fascinante. É se perder de bike e descobrir um caminho fantástico. É tomar um café do Gaia, e, na mesa ao lado, encontrar hóspedes com tantos pontos em comum. Ou seja, é aquela descoberta inesperada graças à sagacidade e à atenção aos detalhes. É a habilidade, ou a arte, de perceber e aproveitar acidentalmente descobertas felizes. É aquele encontro inesperado com pessoas, ideias ou momentos de pura beleza. 

O voo SP-Ibiti, por exemplo, não é apenas uma ponte aérea entre a Selva de Pedra e o Paraíso: é uma conexão com oportunidades de vivenciar inovação e sustentabilidade em primeira mão. Cada pouso é um convite espontâneo à descoberta, possibilitando que pequenos acasos possam gerar grandes aprendizados, tanto para quem visita quanto para o próprio projeto. Permitir-se viver o inesperado é um gesto de carinho para si próprio. É sobre confiar e tangibilizar o que a vida reservou para você. Portanto, como aqui só vem gente legal, tenha certeza que a natureza reservou algo valioso para você. 

As descobertas mais profundas são frequentemente encontradas no inesperado. Por isso acredito muito que se hospedar no Remote ou fazer programas como a Travessia são um convite para o bem estar ou uma trilha para a surpresa positiva. 

Dona Nair e Joaquim num encontro inesperado

Recentemente conheci a dona Nair em uma carona para Lima Duarte. Pensa numa conversa prazerosa. Fiquei vidrado com a genuinidade e sincera hospitalidade dessa moradora. O sotaque da dona Nair deveria ser registrado como patrimônio imaterial do Mogol. É praticamente um dialeto que merece ser escutado. Isso tudo foi por acaso, e hoje acho que conversar com dona Nair é sem dúvida um ótimo programa para quem visita o Village em busca de autenticidade. É de uma sensibilidade de deixar com ciúmes qualquer especialista em felicidade. 

Ou seja, prever tempo livre, enquanto no Ibiti, é uma atividade necessária para encontros verdadeiros acontecerem e se tornarem um momento memorável da viagem. 

A palavra serendipity (serendipidade em português) – criada em 1754 pelo escritor inglês Horace Walpole, inspirado no conto persa Os Três Príncipes de Serendip – é celebrada no mundo da criatividade e da inovação, valorizada por sua capacidade de transformar o inesperado em oportunidade. Em concursos populares do Reino Unido, serendipity foi eleita como uma das palavras favoritas do público, reforçando seu simbolismo de encontros felizes e inesperados, de insights que surgem quando menos se espera. 

No Ibiti, serendipidade parece brotar na terra. Por isso vale estar aberto para perceber, valorizar e potencializar o inesperado. É nessa junção de coincidências, escolhas conscientes e encontros casuais que ideias florescem, parcerias se formam e o projeto cresce. Cada gesto e cada presença carregam o potencial de algo extraordinário. E é nesse fluxo contínuo de descobertas que o Ibiti revela sua magia, sempre pronto para surpreender.

*Joaquim Monteiro é sócio do Sertões e conselheiro do Ibiti Projeto

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