Conheça o viajante inglês que quer comprar uma casa no Ibiti

29 de January de 2026
Redescobrindo o essencial: Henry Cookson plantou araucária em uma de suas várias passagens pelo Ibiti

Henry Cookson já acampou com um grupo de turistas dentro de um vulcão nas Ilhas Galápagos, rodeado de tartarugas gigantes pré-históricas. Já caminhou até o Polo da Inacessibilidade da Antártica, onde, a 90 graus abaixo de zero, encarou face a face o lendário busto de Lênin. Cortou a Groenlândia de Sul a Norte em pranchas de snowkite. Levou o Príncipe Harry e um grupo de veteranos de guerra ao Polo Norte geográfico na expedição “Walking with the Wounded”. Foi pioneiro a levar turistas em um superiate e em submarinos à Antártica. Levou gente a escalar as alturas do Kilimanjaro e do Aconcágua. Mas foi na Serra do Ibitipoca que o viajante inglês decidiu construir sua primeira casa do zero.

“Eu não fazia ideia da magia que nos esperava”, admite o explorador britânico, fundador da Cookson Adventures, empresa especializada em turismo em áreas remotas ou de condições extremas. Ele conheceu o Ibiti em julho de 2023, quando esteve no Rio de Janeiro para um casamento. “Eu nem era convidado, um amigo que me chamou para vir, e eu disse ‘por que não?’. Não podia imaginar a mudança que aquilo causaria na minha vida.” Os amigos de Cookson haviam programado uma estadia de duas noites em um “lugar no campo”. E esse lugar era o Ibiti. “Em questão de horas eu já me sentia em casa. Algo ali me fez querer pertencer àquele lugar.” 

Embora tenha estado em localidades vistas de perto por poucos olhos humanos, de ter excursionado pelas mais paradisíacas e desafiadoras paisagens da Terra, Henry Cookson não havia ainda encontrado esse local de pertencimento. Há muito tempo ele procurava um lugar onde sentisse que “pertencia”, que fosse único, autêntico, dotado de natureza, senso de comunidade e integridade. Segundo Cookson, embora existam lugares no mundo “mais bonitos e com mais vida selvagem e cachoeiras maiores”, é tudo uma questão de equilíbrio. E nessa balança, pesou ainda a favor do Ibiti a existência de uma comunidade liderada pelo “visionário Renato (Machado), que reuniu pessoas apaixonadas”. 

Mais que um “gringo empolgado”

Henry Cookson se apaixonou à primeira vista pelo Ibiti, esse “pequeno paraíso”, nas suas palavras. “Eu falei das minhas intenções com o Renato em minha primeira visita, mas ele deve ter pensado, ‘ah, é só um gringo que está empolgado’. Só que uma semana depois eu já estava no telefone com ele, que me convidou a voltar. Depois disso, em dois anos eu já vim umas oito ou nove vezes.” Em suas estadias no Ibiti, Cookson fica dez dias, duas, três semanas, mas “nunca é o suficiente”. Por isso ele decidiu construir uma casa. “O Ibiti é uma combinação de arte, da filosofia por trás de tudo isso, de natureza, de trazer a vida de volta e das pessoas maravilhosas que trabalham lá e são uma verdadeira comunidade. É um modelo de como a sociedade realmente deveria ser.” 

Convidado a fazer parte da família do Ibiti, o aventureiro foi encorajado a encontrar um local que parecesse certo para ele. Cookson passou muitos dias e horas explorando a paisagem, se perdendo e encontrando “becos sem saída”. Ele quer construir a casa não apenas para si, mas para receber amigos e “pessoas interessantes” do mundo todo, para que possam compartilhar a visão e a filosofia do Ibiti. Ele acredita que esse modo de vida é “essencial para o futuro de quem somos como espécie”. Cookson não tem pressa. Quer apenas ter certeza de que fará a coisa certa.

“Quando descrevo o Ibiti aos amigos, digo que é a Goldilocks Zone da vida: um termo que cientistas usam para planetas encontrados no universo que são ideais para sustentar a vida. O Ibiti não é chique demais, não é hippie demais, é simplesmente o ponto perfeito em tantos aspectos: as pessoas, a arte, a natureza. Não é selvagem a ponto de ser desconfortável para se adaptar, nem remoto demais para se sentir isolado da chamada civilização, mas, ainda assim, você se sente em uma bolha protegida do caos do resto do mundo. As pessoas lá também são maravilhosas, tão gentis e prestativas, uma verdadeira comunidade de almas unidas em uma visão de como devemos tratar uns aos outros, de como devemos largar nossos celulares e nos reconectar com nós mesmos e com a natureza.

Do ‘countryside’ britânico à Antárctica

A ligação de Henry Cookson com a natureza nasceu na infância, em Wiltshire, na zona rural da Inglaterra. “Eu e meus amigos construíamos casas nas árvores e saltávamos sobre os arbustos”, recorda o explorador. Adolescente, viajou ao Quênia e conviveu com tribos locais e animais do Planalto de Laikipia, uma experiência que acendeu sua conexão com o mundo natural. 

Depois do colégio, trabalhou como guia em um safári na Reserva de Masai Mara, experiência que plantou a semente da aventura e o fez perceber que a vida podia ser muito mais do que um escritório. Mesmo assim, seguiu o caminho convencional: estudou, entrou para a Goldman Sachs e odiou cada minuto. “Depois de três anos, pedi demissão decidido a seguir meu sonho”, conta. 

O destino mudou em uma noite regada a uísque, quando, por impulso, se inscreveu em uma corrida de esqui até o Polo Norte magnético. Contra todas as probabilidades, venceu, e o feito o levou à Antártica, onde, em 2007, alcançou o Polo de Inacessibilidade e entrou para o Guinness Book. 

A partir daí, dedicou-se a explorar e guiar outros aventureiros pelo mundo. O sucesso o levou a fundar a Cookson Adventures

Dívida com a Terra

Muitos dos clientes de Cookson são famílias que saem em períodos sabáticos pelo mundo, como uma que navegou em um iate de 60 metros ao longo de cinco anos após vender seu negócio. “Nós sempre tentamos linkar a questão da conservação e dar um retorno através das nossas jornadas. Somos privilegiados de ter pessoas muito poderosas, ricas e influentes entre nossos clientes, e tentamos educá-las em relação à fragilidade e à importância de nutrir e cuidar do nosso planeta e dos seres humanos.” Nesse compromisso com o planeta, a Cookson Adventures financia projetos na Antártica e na África. Por tudo que viveu e por tudo em que acredita, Henry Cookson vê o Ibiti como um aliado no compromisso com a restauração do planeta, influenciando pessoas que podem fazer a diferença. “O Ibiti é um experimento que nutre o que é realmente importante para os seres humanos, longe das distrações que nos dizem o que comprar ou onde estar. Trata-se de ser autêntico, conectar-se com os outros e com a natureza, e compartilhar arte, poesia e filosofia. Isso, para mim, é viver.”

Share:

Related articles

20 de January de 2026

Festa da Maçã celebra o plantio e o encontro no Ibiti

O Ibiti viveu, em 16 de janeiro, um dia inteiro dedicado a celebrar o plantio da...

January 15th, 2026

Serendipity at Ibiti: when chance transforms experience

Serendipity: “Allow luck to show itself” By Joaquim Monteiro* In an increasingly predictable life,...

January 7th, 2026

Discover Ibiti and experience nature like you've never imagined

On the edge of the Ibitipoca State Park, in Minas Gerais, there is a place that...

December 29, 2025

Ibiti regenerates more than 1,200 hectares of Atlantic Forest 

For centuries, the Atlantic Rainforest has been pressured by human occupation, livestock farming and monocultures. In...