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Natureza

Desde o descobrimento do Brasil, há mais de 500 anos atrás, até os dias de hoje, restou apenas 7% de Mata Atlântica no país. O impacto disso é enorme visto que no passado ela já ocupou 15% do nosso vasto território. 

A Mata Atlântica é um dos mais ricos conjuntos de ecossistema do planeta. Seu reconhecido significado a levou a ser indicada como um dos 25 hotspots de biodiversidade no mundo. Isso porque ela possui cerca de 10mil espécies de plantas endêmicas e bate recordes mundiais de diversidade de bioma por hectare. No entanto, infelizmente, mais de 60% das espécies ameaçadas de extinção no Brasil são originárias da Mata Atlântica. E mais, um a cada quatro animais que habitam essas regiões estão ameaçados de serem extintos.

Para o Brasil, essa mata ainda é onde mais se fazem descobertas científicas. Apesar de sua ampla exploração, ela possibilita a vida de 70% da população brasileira, através da proteção de nascentes, regulação do clima, da temperatura, da umidade, das chuvas e assegurando a fertilidade do solo e a proteção de escarpas e encostas de morros. Além disso, a Mata Atlântica é crucial para a questão nacional da água, já que sete das nove maiores bacias hidrográficas do país estão nela.

O PARQUE ESTADUAL DO IBITIPOCA E SEUS ARREDORES

O Parque Estadual do Ibitipoca localiza-se no sudeste de Minas Gerais entre os municípios de Lima Duarte e Santa Rita do Ibitipoca. Ele abrange 1.488 hectares da Serra do Ibitipoca e sua altitude média é de 1.500 metros, sendo a Lombada o seu pico mais alto, com 1.784 metros. Sua topografia é acentuada, com predominância do quartzo, o que permite uma cobertura vegetal bem heterogênea, com predominância de campos rupestres com enclaves de florestas. O clima é mesotérmico úmido com invernos secos e verões amenos. É o parque mais visitado de Minas Gerais.

Por estar em uma zona não só de Mata Atlântica, mas também de Cerrado e Caatinga, o Parque Estadual de Ibitipoca possui uma grande diversidade no seu entorno. Isso aumenta sua importância na região, o que abrange também os aspectos sociais e econômicos. Portanto, a questão ambiental da Reserva do Ibitipoca envolve um trabalho de prevenção, proteção, reconstituição e manutenção. Existem espécies em processo de extinção que precisam ser monitoradas. Para isso, o habitat natural está sendo reconstituído através do reflorestamento e da reintrodução dessas espécies.

Flora

A paisagem vegetativa de Ibitipoca é atípica porque está localizada em uma área de transição entre três diferentes ecossistemas. A Mata Atlântica em si já apresenta uma enorme diversidade de flores e plantas e abriga ainda ecossistemas típicos do Cerrado, como os Campos de Altitude e os Campos Rupestres. Essa pluralidade enriquece a variedade de espécies existentes na região, onde é possível encontrar árvores retorcidas, cactos, orquídeas, candeias e bromélias. Nas terras da Reserva do Ibitipoca podem ser encontradas inúmeras espécies de plantas em geral, sendo mais de 180 espécies de flores, 400 líquens, 140 orquídeas e 60 bromélias. No entanto, no passado, uma parte substancial dessa vegetação original foi suprimida e transformada em pastagens. Em geral, o simples abandono dos pastos já faz com que ressurjam algumas árvores pioneiras, que propiciam o sombreamento que faz surgir matas secundárias. Mas a Reserva do Ibitipoca tem ido além, focando seus esforços no plantio de árvores nativas em áreas mais degradadas e em regiões plantadas com brachiária, uma espécie de capim dominante que sela o destino do solo. A Reserva já efetuou também vários plantios de espécies nativas, com o objetivo de ligar fragmentos de matas isoladas, criando assim um corredor de dispersão. Dentre as árvores que mais se adequam à região destacamos o ipê, a paineira, o cedro, a quaresmeira, a sapucaia, o manacá da serra, o jacarandá e a araucária.

Fauna

A extinção de algumas espécies da região foi ocasionada por fatores como a redução dos seus habitats naturais e a caça sistemática praticada pela população local, que faz isso tanto para se alimentar, quanto para proteger as suas criações da ação dos predadores. Felizmente, esse quadro foi se revertendo na medida em que os habitats foram regenerados e principalmente após a Constituição de 1988, que proibiu a caça no país. Hoje, aos poucos se observa o retorno de alguns animais, como o veado, o irará, o porco do mato e as onças parda e jaguatirica.

A área em que a Reserva do Ibitipoca se encontra realmente apresenta uma biodiversidade incrível. A bióloga Elisa Girardi fez, através de armadilhas fotográficas, um minucioso levantamento das espécies aqui existentes. O estudo identificou 33 espécies de mamíferos, quase o dobro das que haviam sido classificadas até então. Além desse número, existem na região em torno de 350 espécies de pássaros, 41 anfíbios e diversos peixes. Inclusive, os rios da região são usados com frequência para desova da pirapitinga, um peixe de rabo vermelho. Porém, nos meses de setembro e outubro, a população local espera por este peixe na subida das cachoeiras, onde ele se torna presa fácil. A Reserva do Ibitipoca tem atuado na conscientização dessas pessoas, na expectativa de acabar com esta prática e fazer com que o ciclo de reprodução se complete.

Em 2002, foi localizada na Mata da Luna, uma comunidade de 10 macacos da espécie Brachyteles hypoxanthus, conhecida como Muriqui, que significa “povo amigo” ou “povo tranquilo” em Tupi-guarani. Trata-se do maior primata das Américas, que, segundo dados da IUCN (International Union for Conservation of Nature), está criticamente ameaçado de extinção. Para se ter uma ideia, restam menos de 500 unidades do animal somente em Minas Gerais e no Espírito Santo. Na época a mata estava sofrendo exploração ilegal de madeira, mas foi adquirida e anexada à Reserva. Através de uma parceria com a Universidade Federal de Viçosa, representada pelo professor Fabiano Melo, Presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia, biólogos e pesquisadores estudaram e passaram a monitorar o grupo.

A Reserva do Ibitipoca firmou também uma parceria com a CRAX Ambiental, de Belo Horizonte, para a reintrodução na natureza da jacutinga, do mutum, do macuco e da harpia (gavião real). Além disso, a Reserva está se cadastrando como Área de Soltura junto ao IEF (Instituto Estadual de Florestas). Com esse aval, a região será preparada de forma adequada para receber animais silvestres para se readaptarem à natureza.

  • Guigós
  • Lobo-guará
  • Tico-tico
  • Araçari-banana
  • jacú
  • Onça-parda
  • Irara
  • pavó
  • Papagaio-de-peito-roxo
  • jararaca

Geologia

As areias brancas da região onde fica a Reserva do Ibitipoca lembram dunas de praias. E com razão. Há 600 milhões de anos, a área era o fundo do mar e aflorou lentamente até se transformar numa disjunção da Serra da Mantiqueira. Trata-se do maior afloramento de quartzito do mundo. O quartzito é considerado uma rocha metamórfica, que sofre alterações devido à alta pressão e/ou temperaturas, e é formado pelo quartzo, um dos minerais mais abundantes da Terra. Por sua permeabilidade à água, o quartzito propiciou erosões lentas que formaram os cânions e grutas da região de Ibitipoca. Ele pode também ser umas das causas da coloração cor de Coca-Cola das águas daqui, pois permite que partículas orgânicas sejam carreadas no subsolo. Outro fato interessante é que a rocha se mostra boa condutora de energia elétrica, o que faz com que Ibitipoca seja uma região que recebe uma das maiores incidências de raios no planeta.

Cachoeiras

As Cachoeiras da região são formadas por águas do Rio do Salto e do Córrego do Gavião. De tom avermelhado, as cascatas formam grandes quedas e piscinas naturais. Nas terras da Reserva do Ibitipoca, temos várias cachoeiras. Dentre elas:

  • Palmonan;
  • Dos Palmitos;
  • Do Mogol;
  • Gritador;
  • 7 quedas;
  • Concha Dourada;
  • Lage;
  • Piscinas;
  • Lago Negro;
  • Andorinhas.