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Produção

O permacultor Diogo Jorge apresenta o sistema de agrofloresta da Reserva do Ibitipoca e ensina como usar o solo de forma inteligente

A monocultura está presente no Brasil desde o século XVI, quando os portugueses começaram a plantar cana-de-açúcar ao longo da faixa litorânea do Nordeste. Esse sistema de exploração agrícola se concentra no cultivo de um único gênero, na maior parte das vezes com destino a exportação. Para os donos das terras essa é uma forma rápida de se obter retorno do dinheiro investido, mas não é novidade para ninguém que a monocultura extensiva agride o solo e o ecossistema, causando um desequilíbrio no ambiente, o que gera mudanças climáticas e na composição do solo. Com isso, os agricultores usam cada vez mais fertilizantes para suprir a falta de nutrientes, o que volta a agredir o solo e, pior, o lençol freático.

Em um bioma onde não há intervenção do homem, as próprias plantas, com sua biodiversidade, criam um sistema que nutre o solo com matéria orgânica, gerando um ambiente ideal para os animais, que participam da fertilização das novas plantas e ainda o controle da temperatura dentro do ambiente protegido pelas árvores.

A agroflorestação é baseada na produção de um sistema similar ao de uma floresta, para que as plantas possam se ajudar na formação de um ecossistema biodiverso, ideal para o cultivo em qualquer solo, até mesmo os mais áridos. Essa técnica parte do princípio de utilizar a característica de cada planta, desde grandes árvores até trepadeiras e hortaliças, para a criação de um ecossistema completo, aumentando muito a produtividade de cada metro cúbico de terra. A técnica também leva em conta a região da plantação, adotando plantas nativas ou de fácil adaptação.

Assim fazemos na Reserva do Ibitipoca. Nossa meta é produzir 100% dos ingredientes que levamos à mesa ou nos adaptar ao que produzimos. Hoje ao todo são cerca de 27 frutas e 46 vegetais. Procuramos produzir apenas o que consumimos e fazemos isso com o uso de técnicas naturais que podem ser vistas no vídeo abaixo. Assim, nós usamos o solo de forma inteligente e pensamos não só nos próximos seis meses, mas também nos próximos 10 ou 15 anos. Ao escolher a policultura ao invés da monocultura, nós plantamos diferentes espécies na mesma terra e fazemos estudos sobre a altura e as características de cada planta. Com isso, combinamos plantas que se saem bem em áreas degradadas com outras mais exigentes. Dessa forma, a sombra, as folhas e os galhos de uma planta servem de proteção para a outra, tornando possível que, em um mesmo local, se cultive árvores que dão frutos, junto com o plantio de cana, mandioca e hortaliças, por exemplo. Essas e outras técnicas evitam também a ação de plantas invasoras, trepadeiras e pragas e, por isso, não é necessário o uso de nenhum produto químico para combater esses males.


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